CNH sem autoescola? Entenda o que muda e por que o tema causa polêmica em 2025
A discussão sobre o fim da obrigatoriedade da autoescola para tirar a CNH em 2025 movimenta o Brasil. Entenda as novas regras, os protestos das autoescolas e o impacto para quem quer obter a carteira de motorista.
A recente proposta que permite a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a obrigatoriedade de aulas em autoescolas tem gerado intenso debate em todo o país. A medida, que ainda depende de regulamentação e ajustes em nível federal, promete alterar a forma como os brasileiros conquistam o direito de dirigir — e já mobiliza protestos de instrutores e donos de centros de formação.
O que muda com a proposta da CNH sem autoescola
De acordo com o G1 (publicado em 16 de outubro de 2025), o projeto prevê que o candidato à primeira habilitação possa optar por realizar as aulas teóricas e práticas de forma independente, com a supervisão de um instrutor particular credenciado pelo Detran.
Essa flexibilização permitiria que o aluno tenha mais autonomia no processo de aprendizagem, sem a necessidade de se matricular em uma autoescola tradicional.
O texto ainda não é uma lei definitiva — trata-se de uma proposta de atualização das normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Caso seja aprovada, cada estado poderá definir seus próprios critérios para credenciamento e acompanhamento dos instrutores independentes.
“O objetivo é ampliar o acesso à CNH, especialmente para pessoas de baixa renda, sem comprometer a qualidade do ensino”, disse um técnico do Denatran ao G1.
Reação das autoescolas e protestos pelo país
A notícia provocou forte reação do setor de autoescolas. Em diversas capitais, instrutores e empresários realizaram protestos contra a possível mudança.
Segundo reportagem do Diário da Manhã (DM), manifestações foram registradas em Goiânia e outras cidades no dia 17 de outubro, com carreatas, buzinaços e faixas pedindo a manutenção da obrigatoriedade das aulas.

Os profissionais alegam que o modelo atual garante padrões de segurança e qualidade na formação dos novos condutores e que a retirada das aulas obrigatórias pode aumentar os riscos no trânsito.
“Nós formamos motoristas conscientes. Tirar a obrigatoriedade é colocar mais gente despreparada nas ruas”, afirmou um representante do sindicato dos instrutores ao DM.
Repercussão política e tentativas de contenção
O tema também chegou ao meio político. De acordo com a Gazeta do Povo, parlamentares de diferentes partidos estão tentando “conter os danos” e abrir diálogo com o governo federal.
Alguns defendem que o projeto deve passar por ajustes mais criteriosos, enquanto outros apoiam a medida como uma forma de desburocratizar o processo de habilitação e reduzir custos para os cidadãos.

“Não podemos deixar que o debate vire um embate entre categorias. O foco precisa ser a segurança no trânsito”, disse um deputado federal ouvido pela Gazeta do Povo.
E o que dizem os especialistas?
Especialistas em trânsito destacam que a mudança poderia ter efeitos mistos.
Por um lado, a redução dos custos e a liberdade de escolha seriam avanços positivos; por outro, a ausência de fiscalização adequada pode abrir brechas para fraudes e instrução de baixa qualidade.
Em entrevista ao G1, um ex-diretor do Detran de São Paulo afirmou que o desafio será “garantir que os novos instrutores particulares tenham o mesmo nível de preparo e estrutura exigido das autoescolas”.
O futuro da formação de condutores no Brasil
Ainda é cedo para afirmar como o projeto será implementado. O que se sabe é que o Contran pretende abrir consulta pública sobre o tema antes de qualquer decisão definitiva.
Enquanto isso, as autoescolas seguem mobilizadas, e o debate sobre segurança e acessibilidade na formação de motoristas promete continuar nos próximos meses.